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UMA ARREDOUÇA

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Paulo Passos Psicólogo Clínico (Braga, Portugal) 2020 É uma arredouça... Crianças, famílias, supermercados (ou himperes. Himper, no singular) e demais... (Entrar num himper é uma odisseia de aflições e contrariedades. Assim como é, em hipótese (confirmada), um passeio alegre, uma intenção, um programa de entretenimento, um desejo, um gregarismo de reforço familiar, uma demonstração de existência e de exemplo...!). Chega sempre cheia, a carrinha de caixa aberta. Perfeito arraial de movimentos, com-posturas de última hora, retoques para  selfies,  mesmo antes da porta automática do himper. Máscaras colocadas (condição de admissão do destino), adolescentes de braços dados, pequenos aos reboliços, já com o ranho a espreitar, e lá vai a montra num orgulho que se vislumbra em cores e brilho, para admiração e inveja dos demais concorrentes. Retira-se um carrinho de compras... e lá segue a excursão, para uma inovadora tarde de himper. A gritaria de birra vem de várias frentes. A ...

RAIOS PARTAM AS CONVENIÊNCIAS NO SEU EXPOENTE MÁXIMO DA MEDIOCRIDADE...

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Paulo Passos Psicólogo Clínico (Braga, Portugal) 2020 Era uma vez um gato (mais contorcionista do que) maltês. Na realidade também era um gato maltês, mas sobretudo, de puro figurino tuguês. Então…!... Era uma vez um gato tuguês. Pouco lustroso, diga-se, mas perfumava-se e ajeitava-se nas modas. Era um gato dos sabidos… e, dizia-se, não um ranhoso vagabundo qualquer. Tinha a vida num mafioso beco pouco iluminado, de uma zona pouco própria do clã da sua proveniência, onde se fabricavam muitas narrativas que, depois e a seu tempo, viravam histórias ou, no mínimo, imaculadas lendas que decoravam a sua galeria de troféus imaginados, que serviam para propagandear o espírito e a crença da fama e da invejável grandiosidade. Os amigos preferidos eram os gatos (e até algumas ratazanas) mais mafiosos e desconfiados, apesar de também se dar bem com os desvalidos na honra, sem nunca desperdiçar as aromáticas vantagens de uma conveniente volta às zonas das gatas dos bairros chiques,...

FAMÍLIA OU DOMESTICAÇÃO DA INFÂNCIA?

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  FAMÍLIA OU DOMESTICAÇÃO DA INFÂNCIA? Paulo Passos Psicólogo Clínico (Braga, Portugal) 2020      Crianças tão domáveis quanto o poder da doença da resignação possa exigir.      Crianças tão indomáveis quanto o são e prazeroso feitio (de corpo e de alma) determine.        A subjugação aos dogmatismos relacionais e educacionais pré-definidos, num arcaísmo acrítico, são mecanismos ditatoriais sustentados pela crença e valorização de um banal “bem-feitorismo” (que começa em casa, continua na escola e segue nos meios sociais próximos e alargados…), registado na sua hábil tacanhez de intenções e de competências, enquadrado num cenário impositivo e de intento castrador…!         A identificação de práticas de relação (no manifesto ou no determinismo do latente), onde a criança é elemento interveniente, está o motivo do presente texto (*), na sua vertente de inventariação e sistematização dos discursos e das postur...